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O TEMPO

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O TEMPO Como gasto o meu tempo? TEMPO é a palavra exacta para definir, na minha idade, o TEMPO que me resta. Não há nada de tétrico nesta palavra. Na melhor hipótese terei mais dez anos para viver e sendo assim, a melhor forma de gastar esse período é ter um  objectivo  útil, ligado com a  Família,Amigos ,Ocorrências que preencheram a minha Vida. Há muito que defini esse intento: deixar bem fundamentado, através de fotografias,vídeos,cartas,tudo quanto escrevi no “Blogue da Martina"( porque nele escrevemos o que pensamos mas cautelosamente; sendo público ou  só para amigos,mesmo que tenhamos quase a certeza que ninguém vai le-lo.Mas esse “ quase ”  evita-nos de escrever tolices e ter cuidado no português que usamos Aliada com a minha prima Ana,também muito chegada aos temas familiares, durante cinco anos escrevemos e editámos a “GAZETA DOS GARRAUS “Jornal da Família  e para a Família.   Uma boa parte dos nossos parentes ader...

fFIM DO ANO...PRINCIPIO DO OUTRO

Para mim, as festas têm um dom admirável. Tão bom é quando começam como quando acabam.  Quando começam, principalmente o Natal, é uma delícia: ir buscar as caixas onde guardo os enfeites da casa, o presépio, as luzes, até a grande confusão em que fica a sala.  O Primeiro Domingo do Advento dá inicio às festividades meio cristãs meio celtas.É no Advento que  antigamente a família se reunia na nossa casa para a cerimónia de acender a primeira vela  e para o almoço tradicional do "sarrabulho  " 

OS MAIS VELHOS,OS MAIS NOVOS E OS DO MEIO

         Entrar na quarta idade, (como alguns pretendem chamar aos anos de vida começados a partir dos 80) é por vezes muito agradável. Como estamos mais incapacitados fisicamente abrimos espaço para atividades mentais, (em alguns casos) investirmos na reflexão, na análise pessoal e na dos que nos rodeiam e isto é muito gratificante, embora por vezes, seja uma surpresa dispensável. Com os meus 81 anos e algumas moléstias que me obrigam a permanecer em casa mais tempo, uso-o analisando acontecimentos e pessoas começando por mim própria e pelos episódios que preenchem a minha vida. E quantas surpresas me causaram essas análises e como foi inquietante conhecer o meu EU sem evasivas Estas fachas etárias, na maior parte dos casos, têm uma coisa em comum: Acalentam os mesmos juízos uns pelos outros Como já passei pelas três, conheço bem os sentimentos que nos envolvem em cada uma além das razões pessoais que alguns têm para acentua-los. Comecemos pelos ma...

O INOCENTE EGOISMO

  É verdade que estou muito preocupada com a Grécia e com os gregos: é verdade, na medida em que os problemas deles podem afectar Portugal ou para ser mesmo sincera, afectar o meu clã. Também me preocupam os infelizes fugitivos do outro continente, que arriscam a vida, em busca de melhor sorte na Europa. Vou dando uma olhadela pelas desavenças entre os povos que habitam este belo planeta azul. Mas estão tão longe, tão longe! Interesso-me  pela politica, mas como tenho uma opinião formada sobre os políticos, sejam de que partido forem, não a levo  (a politica ) muito a sério. Igualmente estou inquieta com os problemas ambientais. Mas como não tenho carro para poluir o ar que respiramos, separo os lixos mais/menos duma maneira certa e vivo num país onde o céu ainda tem um lindo tom anilado, o mar é azul e quando temos nevoeiro é natural e próprio das condições atmosféricas,embora tenha pena daqueles que  não possuem  estas maravilhas...

UMA VIDA

  82 Anos de vida, 63 de casada. O que dei, o que recebi? Qual foi o saldo dessa troca? Neste momento, de  cérebro frio e espirito isento, penso que foi uma permuta justa. Fui uma criança feliz? As crianças não são felizes ou infelizes: estão contentes ou contrariadas.Tive uma infância solitária, apesar de rodeada por uma grande família.mas a solidão pode ser enorme mesmo no meio de muita gente. Quando fomos viver para Braga a situação modificou-se. Entrei num colégio particular frequentado pelas filhas dos novos amigos dos meus pais e a nossa vivência social ganhou horizontes diferentes através do contacto desses amigos.   Como adolescente tive momentos completamente a meu gosto, outros mais melancólicos. Na altura podem ter constituído um drama, mas nunca causaram no meu espirito um verdadeiro desgosto, embora algumas vezes beliscassem o meu EGO.   Quanto ao casamento, só ao fim de muitos anos aprendi que, se temos que aceitar os pais que Deus nos deu, os m...

O CARNAVAL DE 1949

  Quando nascemos trazemos o destino determinado, um caminho de vida que temos obrigatoriamente de percorrer quer queiramos quer não, ou esse destino é construído por nós, baseado nos genes que herdámos, da convivência e regras familiares e do individualismo que cada um consegue através de experiênci  pessoais  ,    erros, capacidades naturais para o determinarmos nós próprios? Recordando o Carnaval de 1949, acredito na 1ª teoria. Porque esse carnaval alterou significativamente o meu Destino. Não de imediato, porque durante três anos, vivi do modo como era esperado viver.  Com sete anos fui viver para Braga, e os meus pais  assimilaram rapidamente os usos e costumes da cidade dos arcebispos  Em 1940, ali e mais ao menos em todo o Minho, as raparigas da classe média alta, muito poucas frequentavam o liceu e raramente tiravam um curso universitário Aprendiam em casa com as mães e com professoras, a arte de ser esposa, mãe, uma anfitriã simp...

VÉLLINHAS & VELHINHOS

Umas e Outros vivem a velhice de maneiras diferentes. Qualquer deles pode ser angelicaL,paciente,fonte de sabedoria ou verdadeiros mestres da intriga,a praga de qualquer nora ou genro, ou dos dois, o tsunami de qualquer família. Mas que dizer dos meio-vélhos ? Podem ser amigos, compreensivos, disporem do seu tempo ouvindo repetições da mesma história vezes sem conta.ou podem ser igualmente impacientes, mauzinhos ou pior ainda, ignorando-os, como se fossem, na melhor das hipóteses, flores que é preciso regar. Há cerca de ano e meio, encontro-me conscientemente na velhice. Podemos ter idade, mas não sermos velhos. Mas quando por esta razão ou outra razão deixamos de ser totalmente independentes, é a velhice que chegou, Precisamos muito ou pouco que nos prestem alguns cuidados e mesmo que estejamos na nossa casa,nunca mais seremos inteiramente nós. Afirmam os filósofos   enfaticamente – é a lei da vida;primeiro cuidamos dos filhos,depois eles cuidam de nós .É bonito de dizer,ma...