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SE EU TIVESSE 18 ANOS... E SOUBESSE O QUE SEI HOJE

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        Como mudaria a minha vida se eu tivesse dezoito anos e o dom de            adivinhar o futuro?  Se soubesse o que sei hoje, jamais teria casado com o meu marido e principalmente não teria casado tão nova. Perdi a parte melhor da minha juventude, “la dolce vita “das raparigas com deveres mas sem responsabilidades, a experiência que iria adquirindo. Alguma coisa está errada na FORÇA que criou tudo, incluindo seres que podem não só pensar mas reflectir sobre o que pensam.  Este ultimo factor está muito desequilibrado. O corpo cresce e pensa, mas ponderar no que pensa parece ser muito difícil á maior parte dos jovens. Aos vinte anos um homem ou mulher têm um corpo de adulto, querem comportar-se como adultos, mas raramente são capazes não só de serem independentes financeiramente, quando, quase sempre, o que julgam estar certo leva-os a atitudes e decisões desastrosas. No meu entender, o cérebro que é a sede da...

UMA VIDA

  82 Anos de vida, 63 de casada. O que dei, o que recebi? Qual foi o saldo dessa troca? Neste momento, de  cérebro frio e espirito isento, penso que foi uma permuta justa. Fui uma criança feliz? As crianças não são felizes ou infelizes: estão contentes ou contrariadas.Tive uma infância solitária, apesar de rodeada por uma grande família.mas a solidão pode ser enorme mesmo no meio de muita gente. Quando fomos viver para Braga a situação modificou-se. Entrei num colégio particular frequentado pelas filhas dos novos amigos dos meus pais e a nossa vivência social ganhou horizontes diferentes através do contacto desses amigos.   Como adolescente tive momentos completamente a meu gosto, outros mais melancólicos. Na altura podem ter constituído um drama, mas nunca causaram no meu espirito um verdadeiro desgosto, embora algumas vezes beliscassem o meu EGO.   Quanto ao casamento, só ao fim de muitos anos aprendi que, se temos que aceitar os pais que Deus nos deu, os m...

VÉLLINHAS & VELHINHOS

Umas e Outros vivem a velhice de maneiras diferentes. Qualquer deles pode ser angelicaL,paciente,fonte de sabedoria ou verdadeiros mestres da intriga,a praga de qualquer nora ou genro, ou dos dois, o tsunami de qualquer família. Mas que dizer dos meio-vélhos ? Podem ser amigos, compreensivos, disporem do seu tempo ouvindo repetições da mesma história vezes sem conta.ou podem ser igualmente impacientes, mauzinhos ou pior ainda, ignorando-os, como se fossem, na melhor das hipóteses, flores que é preciso regar. Há cerca de ano e meio, encontro-me conscientemente na velhice. Podemos ter idade, mas não sermos velhos. Mas quando por esta razão ou outra razão deixamos de ser totalmente independentes, é a velhice que chegou, Precisamos muito ou pouco que nos prestem alguns cuidados e mesmo que estejamos na nossa casa,nunca mais seremos inteiramente nós. Afirmam os filósofos   enfaticamente – é a lei da vida;primeiro cuidamos dos filhos,depois eles cuidam de nós .É bonito de dizer,ma...

OS MEUS FIEIS DEFUNTOS 2014

Passou mais um Dia de Finados, ou ‘Os meus Fieis Defuntos’ como diz a boa gente do norte. Gosto mais desta frase pois é nos meus mortos que penso neste dia especial. Não só nos que amei, como naqueles que repeli do meu coração, como até naqueles que não conheci. Como seriam os meus bisavós esse Manuel Francisco e a sua esposa Maria da Luz,pais do meu avô Joaquim Francisco, e o João Policarpo Faria e Francisca de Jesus, pais da minha avó Maria, tão distantes de mim, mas tão vivos na minha memória, graças à tia Adelina, mãe da Maria Olga, estar sempre a falar na diferença de carácter entre as bisavós Maria de Jesus e Francisca de Jesus. Enquanto a primeira era cordata, trabalhadeira amealhando para a casa,a pobre Francisca de Jesus era indolente, indiscreta fingindo maleitas para disfarçar a preguiça. Como a Tia Adelina não pode ter conhecido nenhuma delas, devia falar por tradição oral. Mais próximo da minha afeição e memória , estão a minha avó Maria a Chicha e a minha tia Palmir...

O CASAMENTO

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Adicionar legenda Faz hoje 62 anos que, no Mosteiro da Batalha, eu e o meu marido demos o “sagrado nó”. Curiosamente, já muito avançada nos setenta eu julgo ter compreendido o que significa a palavra. Se quisesse representá-la materielmente,eu diria que é um armário com muitas gavetas no qual se vão acumulam o “Deve” e o “Haver “Não há casamentos perfeitos e, felizmente com muitas exceções, passado o encanto de estarem juntos mas separados, começa a rotina do dia-a-dia com problemas acrescidos. Um salamaleque a menos da parte dele, um subtil desmazelo da parte dela, a eterna discussão sobre a família de cada um, a repentina ambição dela de “fazer “carreira” a pouca ajuda dele nos trabalhos domésticos, os filhos, que dão despesa, trabalho e para os quais têm pouco tempo, o interesse que pode ser dos dois, noutra pessoa sempre gentil, sempre bonita/o e por fim a infidelidade. Estas são as coisas que podem ser metidas dentro das tais gavetas e, depois de feito o balanço, esquece...

PONTOS DE INTERROGAÇÃO

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Quantos seremos aqueles que na velhice temos a felicidade de viver em Paz com nós próprios, com a Família, com o Mundo? Porque depois dos oitenta é só o que desejamos: Viver em Paz. Acabaram-se os desejos de viagens, de cinemas, de concertos, de restaurantes, até as grandes festas familiares, se forem muitas, tornam-se pouco atraentes.Com   algumas excepções,depois dos 80 o corpo começa a sentir o peso da idade, das maluqueiras que cometeu, do pouco cuidado com a saúde, incluindo o famoso “5 minutos de prazer,5 quilos de mal fazer”. Quanto ao cérebro, mesmo poucos que sejam, também sofre danos, principalmente naqueles que não souberam usá-lo. QUERER não é PODER, mas muitos, antes de atingir essa fase etária onde não se volta para trás, conseguiram organizar a sus vida material de modo a poderem gozar uma relativa tranquilidade. Mas quanto ao nosso EU esse “eu” que António Dâmaso define a nossa consciência, como a organizámos? Teremos sido capazes de conservar amigos, poucos ma...