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O DIA DE CASAMENTO

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No dia 1 de Março, fiz 59 anos de casada.Normalmente,este primeiro dia é recordado como um talismã, algo que perdurará na nossa memória como um açafate de flores raras. Há muitos anos que deixei de me lembrar do dia do meu casamento, como uma data de felizes recordações. Mesmo que o casamento seja uma lua-de-mel perpétua," até que a morte nos separe", para a noiva o tal dia é sempre uma estopada A noite que o antecede é atafulhada de preocupações: se o vestido não assenta bem; se o noivo chega atrasado; se ele própria vai atrasar-se (o carro pode ter um furo); se o padre morre; se ela estiver agoniada; se tropeça no vestido; se as meninas do véu o puxam e ele cai. Quando finalmente consegue adormecer logo toca o despertador para as abluções matinais. Aí entram as pessoas com sábios conselhos: come muito bem, para não te sentir fraca durante a cerimónia; não comas muito, podes sentir-te mal. Em seguida, a primeira parte da virginal toilette, que, no meu tempo, e...

SENTIMENTALISMOS

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Tenho que concordar que estou a ficar velha. Velha sim e não idosa, que os velhos é que são piegas e saudosistas. Porque penso assim? Quando escrevo uma introdução a um comentário no Blogue da Família, tanto os Decanos, como eu, e até como até os menos jovens( os meus filhos à parte porque esses são enxertados na boa cepa celta de Penafiel) ficamos com lágrima no olho por recordações simples. Mas talvez não estejamos a ficar mais velhos, mas mais sensatos. As recordações do passado que nos comovem significam que agora, damos o verdadeiro valor às coisas que preencheram as nossas vidas e que quando mais jovens, pareciam não ter tanta importância. Voltar a passar o Natal com a Malena, recordou-me tanta coisa! As casas onde me senti feliz;a casa dela, os alegres serões da escolha da Soja, os Natais, acima de tudo os Natais, quando eu e a minha prima Fernanda éramos tão inocentes, que uma vez (tínhamos 6 e sete anos) juramos ambas que tínhamos visto as calças do Pai Natal a des...

ACABOU-SE,DESCANSEM CAVALEIROS DA TRISTE FIGURA.

Acabaram os bobos da corte, com os seus ditos ridículos e guizos a chamarem a atenção. Acabaram as palestras de Cátedra com desnecessárias declarações de sapiência; acabaram os patriotismos de quem nada fez para melhorar o seu país : acabou a cassete habitual de quem vive no século dezanove. Acabou a ilusão de quem acreditou, como a burra da fábula, que por lhe terem posto uma cela já era égua de raça.Acabaram-se as peixeiradas politicas,os épicos históricos, cada um acusando o parceiro e praticando o delito Descansem os seis cavaleiros da triste figura das suas viagens, das suas acrobacias, do seu infatigável galgar quilómetros, desde o pequeno-almoço até à ceia. Descansem almas generosas que tanto trabalham e velam pelo nosso bem-estar! Finalmente podereis ser, no abrigo dos vossos lares, maridos dedicados, pais afectuosos, amigos sinceros, sem nada a limitar-vos os afectos e tendências. Quanto a mim, quando amanhã votar, tentarei não esquecer o sábio mandamento da “Revo...

VOTAR OU NÃO VOTAR! EIS A QUESTÃO

Democracia é um sistema de governo por meio do qual todos os cidadãos livres podem eleger os seus governantes e serem eleitos para tal função. O voto é a forma contemporânea através da qual, pela eleição ou pelo referendo, os governados podem manifestar a sua vontade relativamente à forma como o poder político é exercido pelos governantes. Votar é mais que um dever cívico, é mais que um dever de consciência, porque é uma das maiores conquistas e direitos da democracia. Votando, nós damos a ALGUÉM o nosso aval, esperamos que represente aquilo que é importante para nós. Afirmamos com o nosso VOTO que confiamos NELE. Mas também é verdade que através dos tempos, a Democracia e as pessoas que nela acreditam,foram mistificadas, manipuladas ao gosto dos que fingindo servi-la aproveitam-se dela em interesse próprio ou dos partidos que representam, deixando-nos a nós, votantes, numa amarga incerteza. Pessoalmente irei sempre votar. Em parte porque guardo a mágoa de ser-me interd...

O ESCORPIÃO E A RÃ baseado numa fábula de Esopo

Aborrecido, o escorpião meditava, Aqui, já comi tudo quanto tinha a comer . Olhou para a outra margem, onde certamente haveriam bichos incautos, olhou para o rio, largo e profundo e pensou: este rio, certamente não terá medo de mim;tenho que conseguir alguém que me leve para o outro lado. De súbito, viu uma rã sobre uma pedra. Ali está quem vai levar-me. Ela deve ter medo de mim, mas vou dizer-lhe que sou um escorpião diferente, que os outros é que são maus. Se por vezes espeto o meu ferrão é porque aquele que mato faria mal a alguém.Dir-lhe-ei que só penso no bem-estar de todos e procuro sempre defendê-los dos outros escorpiões. Mansamente, chegou junto da rã e disse-lhe com bons modos: – bom dia Dª.Rã.A senhora será capaz de atravessar este rio? Com a presunção dos tolos, a rã respondeu:- claro que sou. Já o atravessei muitas vezes. Mas porque é que pergunta? o escorpião, cada vez mais gentil continuou Se eu lhe pedisse para levar-me nas suas costas para a outra margem, ser...