Mensagens

A CIGARRA E A FORMIGA

A CIGARRA E A FORMIGA 2011- JANEIRO- 2 Terminou um ano e vai começar outro que promete aumentar e muito, o desespero que já algumas pessoas sentem. Os portugueses, duma maneira geral, lêem pouco, não são atraídos pela filosofia e nada inclinados à reflexão. Assim ainda não compreenderam que tudo na vida tem um preço e que esse preço, mais tarde ou mais cedo, tem que ser pago. Desde o 25 de Abril que maior parte do nosso bom povo se habituou ao regabofe do dinheiro fácil, do governa nço, e adoptou as teorias irrealistas que todos somos iguais, que" o que está em Portugal é dos portugueses "e “se os outros Têem, eu tenho direito a ter” Assim, todo o bicho careto, como dizia a minha avó, passou a ter telemóvel e a usá-lo com uma facilidade e tempo, inacreditável.Carro, toda a gente possui , pelos mais diversos motivos. Pôr as crianças em infantários é muito mais fá...

O MEU NATAL 2010

O Natal aproxima-se do meu local preferido: a minha casa. Já existem tons de vermelho e verde nas belas “Estrelas do Natal” ou” flores do natal,”ou “poinsétia” que oferecem beleza e calor à minha sala… e perigo também, pois todas as suas partes são venenosas. Jesus Menino, aguarda, escondido, a altura de repousar no berço de palha do Grande Presépio.Compramo-lo há mais de vinte anos na Feira de Barcelos,não tem a assinatura de Rosa Ramalho, é o mais popular possível, mas as figuras de barro toscamente trabalhadas, têm uma tal dignidade que as olho como se fossem peças de Machado de Castro. Embora continue a não colocar o estandarte do Menino Jesus na janela, ELE tem uma presença constante na minha casa: à entrada, ainda fora da porta, um menino Jesus Esquimó, rodeado por Maria e José vestidos com belas parkas e bafejado por uma foca amorosa; no meu quarto-estúdio, onde me sinto mais em paz do que em qualquer outro lugar, o velho presépio que conta menos um ano que eu, acolhe-O desde o...
Imagem
De hoje a um mês,terei deixado, segundo a tradição, as prendas de Natal por alguns meninos do mundo.levando-os no meu trenó puxado por oito renas mágicas, chefiadas por Rodolfo, o do Nariz Vermelho, É sobre “as prendas” que vou falar-vos. Um escritor americano escreveu um conto do Natal para os filhos, resolvendo mudar a minha condição de Bispo de Mira, transformando-me num velhote gordo e simpático. Deixei de chamar-me Nicolau, passando a chamar-me Pai Natal, Santa Claus Kerstman , e da Turquia, passei a viver na Lapónia. Com essa mudança, mudaram também as minhas primitivas intenções, que era pedir aos meninos que tinham muitos brinquedos, que os dividissem com aqueles que os não tinham, para levar lembranças às famílias dos meninos. A ideia pareceu -me simpática, até compreender que as prendas vinham das lojas e não dos corações e que estimulavam em crianças e adultos a ideia de quanto mais caro melhor. Ora num ano de crise que afecta o planeta Terra (alguns lugares e ...

OS FESTEJOS

Os patrióticos festejos do centenário da Republica, recordam-me uma família minha conhecida. Há meses que vivem em regímen de sopa, frango, massa,massa frango e sopa; fruta , quando os amigos que têm quintas a oferecem. O mesmo com o vinho. Roupa, vestidos sapatos, principalmente para as jovens aceitam envergonhados mas contentes, o que as amigas lhes oferecem. O carro da mãe, foi o primeiro a ser despachado. O do pai, permanece na rua, usado em ocasiões de emergência.Contudo ,quando no mês passado casaram a filha mais velha, foi um casamento tradicional e caro.Os empréstimos que voltaram a pedir, os sacrifícios que irão fazer para os pagar em nada p esou na decisão que tomaram. Assim está o meu país com os imponentes e caros festejos com que celebramos o centenário da implantação da Republica. Fazer cem anos é caso para festejar?Pode ser que sim. Mas qualquer família” bem governada ” só dá festas quando tem dinheiro para as pagar e se ainda lhe ficar algum para “ o dia de amanhã” ...

A FAMILIA

Tendo andado às voltas com os retratos da família e observando todos aqueles rostos que significam ou significaram, criaturas com os mesmos desejos as mesmas aspirações, os mesmos medos que eu sinto e dos quais vem muito do que eu sou, fiz uma pergunta a mim própria: a família é importante, ou melhor, pertencer a uma família é importante? Significa realmente alguma coisa? Seriamos nós os mesmos se, materialmente independentes e pouco dados a efusões e eventos familiares, fizéssemos de conta que a família não existia e vivêssemos ao nosso gosto, pensando que nascemos dum ovo solitário que nem teve galinha para ao pôr? Viver como desejamos, fechados em nós próprios, no pequeno círculo de marido, mulher, filhos, ou mesmo sozinhos, se fosse demasiado para nós aceitar a responsabilidade de gerar seres e cuidar deles. Serão suficiente amigos, companheiros de trabalho, conhecimentos de ocasião para preencher o nosso espaço ? Que sabemos nós dos membros da nossa família? Não dos nossos filhos,...

AS TERMAS NA DECADA DE 40

Quando conto aos meus netos coisas do meu tempo eles olham-me entre divertidos e pesarosos, de tal modo lhes parece estranho o modo como as avozinhas gozavam a juventude. A minha, isto é, o tempo que vivi em Braga, entre 1941 e 1952, pouco tem em comum com as jovens da mesma idade, mas de Lisboa. Havia uma diferença abismal entre a capital e as províncias. E mesmo nas províncias, havia entre elas diferenças de hábitos e costumes. Em Braga, a vida era rigorosamente planeada. Em Julho e Agosto partiam para as praias: Póvoa do Varzim, Vila Praia de Ancora, Moledo do Minho. Em Setembro era a emigração para a Casa da Aldeia, não só para gozarem dum ambiente muito Júlio Dinis, como para tratarem das vindimas. Nós, como não tínhamos casa na aldeia, em meados de Julho partíamos para Moledo do Minho, onde ficávamos até fins de Agosto e em Setembro, a minha mãe e eu, demandávamos as termas do Gerês. para a minha cura de águas Entre o Gerês que eu recordo desse tempo, 1942/49 e o Gerês...