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BENTO XVI E EMANUEL DE JESUS

Eu te digo que tu és Pedro, e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela". (. "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus" Mt XVI, 17-18) (Mt. XVI, 19). Nestes últimos dias, com tanto jornal, revista, televisão a falarem sobre Bento XVI, acabei por lhe dedicar alguns dos meus pensamentos. O primeiro, foi lastima-lo, pois para um Senhor daquela idade, os quatro dias que lhe preparam devem ser bem fatigantes. Sei como os seres humanos são pegajosos e egoístas quando desejam estar perto de alguém importante e apesar de todos os cuidados do protocolo, muita gente há-de maça-lo Bem sei que ele viaja com todo o conforto. No avião ocupará, segundo jornais, a zona mais confortável da cabine,com um grande espaço vazio à frente da sua poltrona. O helicóptero que foi preparado expressamente para ele,ser...

REQUIEM PARA UM AMIGO

Se nascemos para morrer, então porque vivemos? Para habitar este belo planeta azul? Somos então marionetas do Criador de tudo o que nos cerca,a quem os homens dão nomes baseados nas suas crenças? Para crescermos e multiplicarmo-nos? ( 27. Deus então criou o homem à sua imagem e o criou à im agem de Deus e o criou macho e fêmea.-28. Deus os abençoou e lhes disse: Crescei e multiplicai-vos,) Mas multiplicar-nos para quê, se o fim de todos os seres è a morte? Para deixarmos descendentes. Depois de mortos, o que nos interessam os descendentes? Para apreciar as coisas belas que o Homem é capaz de criar para deleite do espírito humano. E as coisas feias que o Homem é igualmente capaz de criar com a particular tendência para as destruir? E esta incerteza, que nasce connosco, sobre o que nos acontecerá um dia? A duvida, sobre se essa partida será o fim de tudo ou, como dizia Richard Bach “ aquilo a que a lagarta chama fim do mundo, o homem chama borboleta.” Teremos q...

REUNIÕES & COMPANHIA

Ultimamente, sempre que participo numa reunião, seja familiar ou de amigos, para celebrar felizes acontecimentos, datas tradicionais ou ocasiões fúnebres, pergunto a mim própria, como serão realmente as pessoas que ali confraternizam ou oferecem conforto amigo ao marido/ mulher/ filhos/ pais do falecido/. Principalmente nas reuniões de família ou amigos. Apesar de pensarmos conhecer bem as pessoas ou mesmo os parentes, a certa altura podem reservar-nos surpresas. Nessas reuniões, mais ao menos informais, há de tudo. Há aquele tipo de pessoas “ eu sou muito franca; digo o que “tenho a dizer” . Isto que, aparentemente, pode significar tratar-se duma pessoa que adquiriu pela sua integridade e bons costumes o direito à crítica, pode, pelo contrário, mostrar um ser egoísta e muito mal formado. À medida que a reunião progride, ninguém resiste a expor a sotto- voce as sua opiniões sobre fulano ou sicrano, raramente e favoráveis. O mais detestável dos comentários é:” eu sou muit...

A PRIMAVERA

Se fosse possível viver cem anos, cem vezes sentiria este deslumbramento interior que é a chegada da Primavera e do Outono. O verão e o Inverno considero-os como conhecidos a quem se tolera mas sem qualquer afeição ou desejo que cheguem. A Primavera que eu sinto, não é só reconhecível por flores e passarinhos. Nunca me comovi com a chegada das andorinhas, animaizinhos diligentes mas bastante porcos, nem com o desabrochar das flores. São os cheiros, a tepidez do ar, o vasto leque de cores que tanto a Primavera como o Outono oferecem aos meus olhos que me encantam. Começo a aperceber-me que primavera vai chegar, pelo ar morno que uma certa manhã chega através da minha janela. Vou à varanda e as flores estão todas arrebitadas porque sabem que a partir dali tudo lhes será favorável. Acabaram os grandes frios, as noites começarão a ficar suaves e mesmo que eu me esqueça de regá-las um dia, nada acontecerá de grave. A caminho do Paredão, no velho jardim de Paço de Arcos, os relvados parecem...

O FORMIGUEIRO

Sempre gostei dos sítios onde vivi. E penso que devo essa benesse à minha avó, que durante os anos da nossa convivência mais constante, entre os meus onze e dezoito anos, procurou mostra-me que o importante é fazer com prazer tudo quanto temos a fazer, gostar de cada momento que vivemos e não ambicionar por acontecimentos e ocasiões que talvez nunca cheguem. Gostei da grande casa de Maximinos , para onde fomos viver em Braga, um casarão solitário, de tectos enormes, rodeado por uma quinta meio selvagem, naquele tempo bem longe da cidade. Gostei do colégio, austero como convêm a um antigo convento adaptado a escola de meninas (as aulas de musica, de bordados e “boas maneiras” onde aprendíamos coisas incríveis nos dias de hoje, eram dadas nas antigas celas dos frades) tão diferente na rigidez, no espaço, na maneira do ensino, da mestrinha onde eu andara até deixar Lisboa. Gostei da velha e opulenta cidade de granito, conservadora, onde se vivia tranquilamente, a compasso, seguindo r...

MENSAGEM DA PÁSCOA