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CASAR /ACASALAR

Há dias, um jovem neto duma amiga (não assim tão jovem pois entrou na casa dos trinta disse-me jovialmente: -Mimi, não tenha ilusões, as pessoas agora não casam, acasalam. Ninguém está interessado na velha regra de “constituir família”.A família não é para ali chamada e se aparece despacha-se com a maior facilidade e legalmente . Escutei-o atónita e olhei-o como se visse uma raridade. Um rapaz bem longe do tipo conservado: gosta de andar de bicicleta e a sua “farda normal, são as calças de ganga, os ténis e os camisolões. Só o vi de fato completo, gravata e camisa a condizer com o fato, no casamento da irmã. Aprecia música clássica…mas levezinha e não creio que seja um ávido leitor de autores clássicos e muito menos de poesia . Gosta de pintura, de retratos e cenas com muitos figurantes, mas tudo alegre e muito bem definido. Não podemos chamar-lhe um rapaz conservador, mas creio que é por natureza própria, muito bem-educado.sincero, alegre, nada complicado. No entanto havia na sua voz...

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Meditação de Cristo no deserto Combate do Carnaval com a Quaresma, de Pieter Bruegel (1559) Nem mesmo a igreja, seja ela católica, ortodoxa ou protestante, deseja que andemos com coroas de espinhos enterradas na cabeça ou em versão moderna, com grossas cordas atadas à cintura. Muito menos o CRIADOR de todos nós, que nos fez tão fisicamente perfeitos e complicados, desejaria que martirizássemos esse físico, para além dos disparates que todos os dias cometemos contra ele. Mas isso não quer dizer que não seja proveitoso para nós, membros ou não das igrejas cristãs, darmos atenção a esses preceitos. A Penitência interior de cada um de nós pode ter expressões bem diferentes. O Jejum será sempre benéfico para a saúde e a Oração, essa conversa silenciosa maior parte das vezes nem sabendo a quem a dirigimos, quem pode dizer que nunca o fez? Não será uma boa penitência uma vez por semana, não durante apenas estes quarenta dias mas durante todo o ano, procurarmos não nos irritar com os nossos...

PERDER AMIGOS

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Uma vez escrevi no blogue “A verdadeira tristeza do envelhecer, não está nos anos que nos vão aproximando do fim, não está na distância que vamos sentindo entre nós, os filhos, e os netos, apesar da amizade que sintamos uns pelos outros, na amargura de partirmos sem ver crescer os bisnetos. Não está sequer nos achaques próprios da velhice, que por vezes nos incomodam. A verdadeira tristeza está nos amigos que vamos perdendo” A palavra PERDERr, no contexto, queria dizer, amigos a quem a morte levou. Mas há duas semanas, aprendi que existe algo muito pior que os nossos amigos partirem primeiro que nós E quando falo em AMIGOS, falo daqueles que foram nossos amigos de infância, amigos que o casamento nos trouxe, amigos que fizemos em circunstâncias felizes e mantivemos. AMIGOS que nunca nos faltaram quando precisamos deles, que partilharam os nossos momentos de alegria e momentos de aflição. O Francisco, faz hoje,86 anos.Conheço-o há 51.Foi colega do meu marido na Escola Industrial, na ...

A CARTA DE CATHERINE

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Veio parar-me às mãos,uma carta muito especial,duma filha para o Pai.Não percebi pelo conteúdo se era jovem, de meia-idade ou bastante mais velha.Mas compreendi que era uma mulher muito sensata, dessas mulheres que aprenderam a ser felizes através não só da experiência da vida, mas dum extraordinário bom senso. Desde o primeiro dia em que a li, tornou-se o meu breviário de ensinamentos para a vida vivida a dois Se eu tivesse lido a carta da Catherine há 30 anos atrás, quantos erros não teria cometido e muito menos teria consentido que os cometessem comigo. Diz ela: “ Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto; tem que haver muito mais do que amor, e às vezes, nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, Respeito E continua assim: agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma...

O TERRAMOTO DO HAITI

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O Terramoto do Haiti, mostrou-me como somos muito pouco, comparado com aquilo que julgamos ser.Semi depressões imaginárias com que arruinamosa nossa vida e a dos outros; conflitos que geramos em nós sem necessidade, preocupações com as quais estragamos os nossos dias e as nossas noites, a sofreguidão com que usufruímos o dia a dia ,sem apreciarmos as coisas boas e simples que ele nos oferece: a família,da qual somos um elo na cadeia de gerações: os nossos avós,que por vezes recordamos com saudade,os nossos pais,os nossos filhos que nos deram netos,que por sua vez lhes darão netos,prolongando-nos neles; a sensação muito confortante duma reunião familiar com os seus risos, com as suas histórias; ter amigos cuja amizade ao longo dos anos é um bem precioso. E coisas mais simples: os cheiros: da terra molhada por uma chuvada recente,do mar a bater nas rochas,a calma duma solarenga tarde de inverno a caminhar no paredão do café da manhã,do pão quente, uma sopa saborosa ,acabada de fazer ...

ELE NÃO ERA ASSIM...

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Nas nossas conversas de” setecentonas”, meio conversas meio desabafos, ouvimos por vezes esta frase: mas ele não era assim quando casei” .Essas palavras esvoaçam entre nós sem qualquer significado pejorativo para os homens das nossas vidas.E como as nossas relações são casuais, podemos falar de assuntos que noutras circunstâncias e com outras pessoas que conhecêssemos melhor ,não mencionaríamos. A frase é banal e eu nunca lhe ligara importância. Mas não resisti a lançar uma pergunta: - Que teríamos nós feito, se, por um momento mágico, voltássemos ao tempo de namoro e o nosso príncipe encantado se mostrasse tal como o vimos hoje, sem os pequenos subterfúgios usados para acentuar qualidades e minimizar defeitos; vivendo com ele não encontros esperados com ansiedade, mas a trivialidade do dia-a-dia; não “só tu e eu”, mas com os pais, os sogros, os irmãos, as cunhadas os filhos e o cão. É verdade que todas as mulheres com um casamento de 30,40, 50 anos podem fazer essa perg...

IFINAL DAS FESTAS

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Acabaram as festas;ou quase, faltam os Reis.Quando o David e a Maria eram pequenos, os Reis eram festejados em Oleiros com pompa e circunstância. A Marjan fazia duas coroas de papel metalizado a imitar ouro,coroas que eles usavam felicíssimos.Comíamos frango com batatas fritas e salada (que era o prato favorito), passas de uvas e aletria, uma homenagem aos antepassados celtas do avô Nando Ainda continuamos (o Avô Nando e eu) a comer o Bolo Rei, as uvas, agora frescas(e Viva a moderna fruticultura que nos dá saborosas uvas Janeiro) e a aletria. Dispensamos o frango, mudámos para o leitão. Depois dos Reis ainda teremos um Final de Festa. No dia 9,o Sarrabulho, em casa do João. Era o tradicional prato do 1º Domingo do Advento, mas como este ano não nos juntámos no Natal, o almoço do advento realizou-se num restaurante, sem o bacalhau com todos, que eu tinha planeado numa espécie de substituição da consoada, nem o sarrabulho. A falta deste levantou tais protestos que resolvi fazê-lo com...