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SER OU NÃO SER

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EUTERPE                                 O MEU URSO  'SU' ERA QUSE COM ESTE MUSA DA LIRICA O meu marido, meu sócio, meu velho, ou como eu lhe queira chamar, tem o hábito de dizer-me: "nunca deixaste de ser criança" , o que quer dizer: Já tinhas idade para ter juízo , ou ‘continuas a ser criança’ equivalente a ’continuas a ser aquela rapariguinha parva e ingénua ’, conforme está aborrecido ou satisfeito. Durante muitos anos, entre os sete e os sessenta,  pensei o contrário, que nunca tinha sido criança.  Filha única duma mãe senhora de absurdas teorias de 'como educar uma rapariga'e dum pai que atribuía aos homens o dever de trazer dinheiro para casa e às mulheres a tarefa de cuidar da casa e educar os filhos, foi-me exigido desde que me lembro, um comportamento de adulto, ou antes de super adulto, porque ...

AS CRIANÇAS OS ADULTOS E AS REGRAS

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Por vezes posso parecer o Velho do Restelo, com os meus comentários desalentados. Mas vêm ter á minha  mão, ou aos meus olhos, frases, pensamentos, alertas de gente mais sábia. que dão razão aos meus lamentos. Na semana passada aconteceram-me duas coisas: estava a ler um livro sobre Homens célebres, quando deparei com este parágrafo:      As normas que governam a convivência social não foram impostas arbitrariamente. Nasceram da    necessidade de harmonia, da moralidade e dos costumes, de perseverar uma maneira de estar na vida que faça da convivência um aspecto agradável da existência. A cortesia, as boas maneiras, a educação. serão sempre a essência do comportamento. As regras evoluem, adaptam-se, podem até variar segundo os povos, os lugares e as culturas, mas existem sempre. Nos últimos tempos, pais, filhos e até avós, parecem julgar que as regras que impõem uma certa conduta social, foram feitas ao acaso, irracionalmente. Só pa...

ERAMOS 30 GARRAUS

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Entre Garraus  e Consorte  éramos 30.Menos que no 1.º Almoço Convívio, em 2007, mas sempre aumentando a partir do 2º. O primeiro, foi uma novidade e uma curiosidade. Muitos de nós, ou não se conheciam, o caso dos jovens Garraus,ou não se encontravam a não ser nos funerais. Porque aos funerais, todos comparecíamos . Nuns porque eram de parentes muito amados,  nos outros  porque eram  FERREIRAS, tios, primos, tios avós de provecta idade, de quem os nossos pais falavam, contando deles histórias pitorescas ou manias que ficaram conhecidas na família A partir desse 1.º convívio, definiram-se as posições. Os que gostaram da ideia quiseram continua-lo. os outros,  por um motivo ou por outro, desinteressaram-se e desistiram. Não foi uma surpresa, pois era muito difícil manter relações muito próximas numa família relativamente grande, com interesses e temperamentos diferentes, cada um seguindo a suas tendências. A atitude dos que mais ao menos se afastaram, ...

O RESCALDO

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Com sorte (mas será mesmo uma sorte?) por quatro anos estamos livres deste desaforo safado de criticas aos opositores, em vez de nos explicarem bem o que se propunham fazer, desta falta de pudor em apresentar-se como gente de bem quem não o é, das promessas que sabem não cumprir e das falsas esperanças que,nós, Povo,continuamos  a ter. As legislativas, não me deram muito que pensar.Há muito que deixei de ter ilusões quanto aos partidos e muito menos ilusões quanto aos homens que os dirigem. Há que votar, votemos no mal que nos parece melhor. Mas os  meus contactos com os partidos, são ténues  e resignados.Lá me enfureço um  bocadinho quando os escândalos são tão visíveis quanto impunes,mas consolo-me dizendo  uma velha sentença:”todos os povos têm o governo que merecem”E ainda por cima esse governo,essa oposição é composta por portugueses iguais a mim, com os muitos defeitos e as poucas virtudes do bom povo português. Mas nas autárquica , eu voto no HOMEM...

A DIFICIL ESCOLHA

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Tenho uma casa grande, uma casa que através dos anos fomos enchendo de coisas, necessárias, outras mais que supérfluas. Como a casa é grande para os dois andantes que somos agora, posso avaliar pela disposição do local onde passamos os nossos ócios. Apesar das televisões (2) uma em cada extremo da sala,dos sofás bem cómodos à volta da "caixinha dos bonecos" com as respectivas mesinhas de apoio, candeeiro, estantes com variadíssimos objectos, duas peles de vaca a proteger do frio (e a encher a casa de pó) mesmo assim, há um grande espaço livre entre cada um dos nossos reinos. O do meu marido.junto da grande varanda fechada, à qual chamo pomposamente “Jardim de Inverno”. O meu, no extremo oposto. . Como o meu marido está quase totalmente surdo só pode ouvir a televisão com o auxilio dos auscultadores o que torna a sala silenciosa. Pelo meu lado, como oiço muito bem, conservo o som ao meu gosto. e deixámos de guerrear por esse motivo. Além disso, cada um vê os prog...

DOS POLITICOS E DA POLITICA

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Estamos a uma semana das Eleições Legislativas que não são motivo para grandes reflexões da minha parte. Como dizia a Avó Maria do Rosário “entre uns e outros, escolha o Diabo quem quiser". Como tenho por costume reflectir durante todo o ano e não apenas dois dias antes do acto eleitoral, não conservo muitas ilusões nesses "uns" e muito menos nos "outros". Algumas das intervenções dos nobres tribunos parecem-me assombrosas, pela hipocrisia e atrevimento. E também pela falta de memória,que se torna uma verdadeira epidemia logo que, contados os votos,procede-se à glorificação das vitórias e das meias vitórias (porque derrotas nunca as há) Fico também desvanecida com tantos cuidados e preocupações dos nossos dedicados representantes,na tarefa de buscarem o melhor par nós, de nos oferecerem o mais risonho e tranquilo futuro: são os nossos filhos que vão ter os melhores empregos, são os nossos netos que terão nos seus estudos os mestres mais competentes, somos...

11 DE SETEMBRO

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Todos temos a nossa história, embora maior parte das vezes não lhe conferimos a importância devida; ou passamos a vida a lamentar-nos do que ela nos reservou, ou andamos tão ocupados que nem dá tempo para reflectirmos no que nos acontece e muito menos para escrever sobre o que nos acontece, ou somos seres cujo espírito, pensamento, alma ou o que lhe queiramos chamar, é como a semente que deitada à terra, secou, encolheu e servirá de adubo, porque na natureza nada se perde. Mas existem boas razões para escrevermos sobre ela. A primeira, é porque por muito narcisistas que sejamos, não falaremos só de nós. A nós está profundamente ligada a Família. Estou a falar, é claro, de gente normal. Má ou Boa, chegada a nós ou afastada, simpáticos ou indesejáveis, nascemos dentro dum clã e não conseguíramos afastar-nos dele. Mas normalmente, a família com as suas turras, destemperos ou simplesmente amuos, envolve-nos e gostamos dela. E como tal, falamos das pessoas, dos mortos e dos ...