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NATAL 2008

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Passou o Natal, a minha festa predilecta, dias em que ando com o coração de criança feliz, passou a ultima noite do ano, noite aplicada a lembrar o Passado, a contabilizar o Presente, a pensar no Futuro, passaram os Reis, a nossa festa de família, e nada escrevi no blogue acerca desses acontecimentos. Não que a quadra natalícia não fosse agradável, com a consoada reunindo filhos e netos e o Benjamin figurando como o nosso Menino Jesus. O Almoço de Natal com as veneráveis primas e familiares, deixa sempre boas recordações. O espectáculo que a Ana e eu oferecemos à família, uma série de Slides revivendo tempos e natais antigos, teve um certo sucesso. O almoço do fim do ano, com o Manel e com a Odete, velhos amigos, quase irmãos, tradição que mantemos há muitos anos, decorreu bem porque é sempre bom recordar momentos duma amizade perfeita. Além disso, como somos velhos e sabidos,aprendemos que há um tempo para tudo: há tempo para conversar e recordar enquanto apreciamos o...

1º DOMINGO DO ADVENTO 2008

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Os preparativos para o meu “1.º Domingo do Advento” 2008, foram interrompidos pela chegada duma vizinha que vinha pedir um raminho de salsa . Estou a brincar; a senhora vinha apenas conversar. Encontrou-me envolvida em bolas coloridas fios prateados, com a árvore tombada no chão e papéis de seda e caixas por toda a parte. Todo este desarranjo poderia ser mais ordenado, se à medida que retirasse os adornos natalícios das caixas fosse dobrando os papeis e não espalhasse bolas, fios e luzes à minha volta Mas esta alegre confusão faz parte do prazer com que começo o meu Natal. Voltando à vizinha, que geralmente vem carpir mágoas imaginárias e complicações com que preenche a vida, foi logo dizendo: Que horror! Como você tem paciência para tanto trabalho! Eu faço uma arvorezita uma semana antes e chega. Mas para mim não me chega. Preciso da árvore (bem mais pequena do que antigamente) do nosso Presépio com grandes figuras artesanais, do meu pequeno presépio de delicadas figu...

DIA DE ANIVERSÁRIO

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UMA VIDA UMA FAMÍLIA Tenho 75 anos e cinco dias. E nestes cinco dias, tenho reflectido no significado desses anos, como os usei,se aumentei ou não o capital que me legaram. Porque somos nós, auxiliados pelos genes que herdamos, pela educação que nos deram, pelos exemplos aprendidos, pela instrução que adquirimos, que construímos a nossa vida. Não somos dependentes dum temperamento originado na infância e na adolescência. Com sorte, bom senso e humildade, conseguiremos gerir essa criatura estranha que há em nós, e determinar a direcção e qualidade da nossa existência. Por vezes isso acontece naturalmente, devido às qualidades natas da pessoa. Com menos sorte, essa transformação é ocasionada por um acontecimento, quase sempre penoso, ou nunca acontece. De que modo partilhei a minha vida com as outras pessoas? O que fui eu, par...

FANATISMOS EXTREMISMOS E OUTROS ISMOS

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Voltei às aulas da "Academia de Cultura de Paço de Arcos", que tinha abandonado o ano passado devido ao local ser de difícil acesso para mim. Este ano a Academia funciona num sitio mais acessível e prontamente regressei ao convívio das Académicas/os e à minha aula favorita: História de Arte. Tenho mais duas aulas do meu agrado: Viagem Em Torno Das Palavras e Conversas Sobre… Uma ocorrência durante essa ultima aula é o que me leva a estas reflexões. CONVERSAS SOBRE... versa sobre assuntos da actualidade, de interesse geral, onde somos convidadas a expor o que pensamos sobre o assunto, trocar opiniões, tendo o professor como moderador. É de facto um assunto interessante… mas perigoso. Pressupunha-se que as assistentes, mulheres adultas, medianamente cultas, todas para cima dos 50 anos, o que, no mínimo, devia gerar bom senso, fossemos igualmente educadas. Mas não há educação que resista ao fanatismo. Quando ouvimos esta palavras, pensamos imediatamente em ter...

OS MEUS FIEIS DEFUNTOS 3

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Este ano pensei em pedir aos meus netos para falarem dos seus fiéis defuntos. São jovens e por isso não têm muitos para recordar. Os três mais velhos lembram-se ainda das bisavós Quim eLina,meus sogros,da bisavó Lucinda, avó do pai, da Bisa-Lisette minha mãe. Recordam igualmente a tia-avó Mikey.Os dois mais novos têm para lembrar o avô Herman Hols,os meus sogros, a minha mãe. Foram pessoas que contribuíram para o seu aparecimento neste “mundo cão”,mas onde cada um deles se diverte bastante. Mas os nossos jovens não são habituados a recordar os seus mortos,culpa mea, que nunca incitei os meus filhos a fazê-lo, a não ser duma forma convencional Se não deixarem alguma profunda recordação, só muito tarde pensamos nas personagens reais dos que agora estão mortos. Apesar de terem contribuído, mal ou bem, para sermos tudo aquilo que somos, não temos por eles interesse, deferência e muitas vezes nem sequer afeição. Mas não pedi. Iria embaraçá-los, exigir deles uma coisa para a q...

ESTAREI ERRADA?

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Todos os valores morais que me ensinaram a respeitar, não terão importância? Todas as regras sociais que aprendi desde pequena, serão inúteis? O Bem e o Mal, não têm conceitos? As pequenas atenções que me ensinaram a ter, serão arcaicas? Quando aos 75 anos fazemos esta pergunta, é já uma maneira dolorosa de encarar o presente. Não me refiro a valores altamente filosóficos, mas a um princípio que agrega em si todos os outros: não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem . Não falo de regras de etiqueta caricatas, mas de pequenas atenções do dia-a-dia: uma palavra gentil, um presentinho insignificante, um obrigado o quando recebemos qualquer coisa demonstrando que quem oferece, gastou parte do seu tempo pensando em nós. Será natural, próprio de pessoas bem formadas, encarar os pequenos delitos como infortúnios,os grandes como fatalidades, sem ter para quem os pratica uma atitude critica e severa? Estavam errados os nossos avós, os nossos pais, quando exigiam c...

A VERGONHA DOS JUSTOS

Não garanto que todas as pessoas que viajavam naquela carruagem fossem justos, mas aparentavam ser pessoas decentes e todos olhavam com desaprovação o rapaz cabeludo, tatuado, arrogante, cujos pés sujos, enfiados em sandálias de cabedal, repousavam ostensivamente no assento fronteiro Este, mastigando pastilha elástica, acomodava os tais pés no banco, roçando-os no estofo. Uma senhora que poderia ser avó dele, se é que tal espécime merecia ter uma avó, disse-lhe com a autoridade que a idade lhe conferia: - jovem,tire os pés do banco. Quando alguém se sentar, vai sujar-se. O jovem, mais homem que jovem, continuou com os pés ainda mais estendidos sobre o banco e respondeu: -vá-se lixar! E nós ali, calados, comprometidos, eu mais comprometida que ninguém, por não ter avançado em defesa da velha senhora. Por cobardia, pelo medo de ser agredida verbalmente. Olhávamos uns para os outros envergonhados perante as lágrimas silenciosas que escorriam pelo seu rosto, num silêncio que nos incom...