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FANATISMOS EXTREMISMOS E OUTROS ISMOS

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Voltei às aulas da "Academia de Cultura de Paço de Arcos", que tinha abandonado o ano passado devido ao local ser de difícil acesso para mim. Este ano a Academia funciona num sitio mais acessível e prontamente regressei ao convívio das Académicas/os e à minha aula favorita: História de Arte. Tenho mais duas aulas do meu agrado: Viagem Em Torno Das Palavras e Conversas Sobre… Uma ocorrência durante essa ultima aula é o que me leva a estas reflexões. CONVERSAS SOBRE... versa sobre assuntos da actualidade, de interesse geral, onde somos convidadas a expor o que pensamos sobre o assunto, trocar opiniões, tendo o professor como moderador. É de facto um assunto interessante… mas perigoso. Pressupunha-se que as assistentes, mulheres adultas, medianamente cultas, todas para cima dos 50 anos, o que, no mínimo, devia gerar bom senso, fossemos igualmente educadas. Mas não há educação que resista ao fanatismo. Quando ouvimos esta palavras, pensamos imediatamente em ter...

OS MEUS FIEIS DEFUNTOS 3

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Este ano pensei em pedir aos meus netos para falarem dos seus fiéis defuntos. São jovens e por isso não têm muitos para recordar. Os três mais velhos lembram-se ainda das bisavós Quim eLina,meus sogros,da bisavó Lucinda, avó do pai, da Bisa-Lisette minha mãe. Recordam igualmente a tia-avó Mikey.Os dois mais novos têm para lembrar o avô Herman Hols,os meus sogros, a minha mãe. Foram pessoas que contribuíram para o seu aparecimento neste “mundo cão”,mas onde cada um deles se diverte bastante. Mas os nossos jovens não são habituados a recordar os seus mortos,culpa mea, que nunca incitei os meus filhos a fazê-lo, a não ser duma forma convencional Se não deixarem alguma profunda recordação, só muito tarde pensamos nas personagens reais dos que agora estão mortos. Apesar de terem contribuído, mal ou bem, para sermos tudo aquilo que somos, não temos por eles interesse, deferência e muitas vezes nem sequer afeição. Mas não pedi. Iria embaraçá-los, exigir deles uma coisa para a q...

ESTAREI ERRADA?

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Todos os valores morais que me ensinaram a respeitar, não terão importância? Todas as regras sociais que aprendi desde pequena, serão inúteis? O Bem e o Mal, não têm conceitos? As pequenas atenções que me ensinaram a ter, serão arcaicas? Quando aos 75 anos fazemos esta pergunta, é já uma maneira dolorosa de encarar o presente. Não me refiro a valores altamente filosóficos, mas a um princípio que agrega em si todos os outros: não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem . Não falo de regras de etiqueta caricatas, mas de pequenas atenções do dia-a-dia: uma palavra gentil, um presentinho insignificante, um obrigado o quando recebemos qualquer coisa demonstrando que quem oferece, gastou parte do seu tempo pensando em nós. Será natural, próprio de pessoas bem formadas, encarar os pequenos delitos como infortúnios,os grandes como fatalidades, sem ter para quem os pratica uma atitude critica e severa? Estavam errados os nossos avós, os nossos pais, quando exigiam c...

A VERGONHA DOS JUSTOS

Não garanto que todas as pessoas que viajavam naquela carruagem fossem justos, mas aparentavam ser pessoas decentes e todos olhavam com desaprovação o rapaz cabeludo, tatuado, arrogante, cujos pés sujos, enfiados em sandálias de cabedal, repousavam ostensivamente no assento fronteiro Este, mastigando pastilha elástica, acomodava os tais pés no banco, roçando-os no estofo. Uma senhora que poderia ser avó dele, se é que tal espécime merecia ter uma avó, disse-lhe com a autoridade que a idade lhe conferia: - jovem,tire os pés do banco. Quando alguém se sentar, vai sujar-se. O jovem, mais homem que jovem, continuou com os pés ainda mais estendidos sobre o banco e respondeu: -vá-se lixar! E nós ali, calados, comprometidos, eu mais comprometida que ninguém, por não ter avançado em defesa da velha senhora. Por cobardia, pelo medo de ser agredida verbalmente. Olhávamos uns para os outros envergonhados perante as lágrimas silenciosas que escorriam pelo seu rosto, num silêncio que nos incom...

INVESTIMENTO

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Uma amiga, daquelas que são mais que irmãs, ao ver-me tão entusiasmada com a minha nova ocupação, disse, meio a brincar:- estás a investir na tua velhice . Embora ao princípio não atentasse bem na realidade da frase , compreendi depois, como era verdadeira. A minha tarefa actual é,em colaboração com a Marjan, que através dum aparelho especial passa as cassetes de vídeo antigas para um CD, fazer com elas pequenos filmes com sequência e alguns efeitos especiais, que nos proporcionarão alegres momentos, Aconteceu isso com o casamento deles, cujas cassetes permaneceram 22 anos na situação de estarem disponíveis com todo o seu conteúdo, mas não ser nada prático visiona-las, E havia acima de todo, os vídeos do David e da Maria, desde que nasceram. Se ambas nos rimos com os vários episódios do casamento (rimos e recordamos, como se os vivêssemos novamente) os dos nossos” Grandes” em bebés, comoverem-nos. Eram tão pequenos,tão frágeis, tão queridos, nos seus passinhos "cai / não cai"...

COISAS PEQUENAS SEM IMPORTÂNCIA

" UMA CRIANÇA É SEMPRE O PRODUTO DO MEIO EM QUE VIVE,DO AMOR OU INDIFERENÇA COM QUE É TRATADO" O Afonso tem cinco anos, e está vestido muito “in”: calções que parecem do irmão mais velho, camisola BENETON, sapatos de ténis ADIDAS, tipo tanque de guerra.Com esse belo e caro equipamento, limpa alegremente o chão do Centro Médico, indiferente às reprimendas da mãe, que pela centésima vez, grita (é mesmo gritar) :– Afonso levante-se do chão. É um miúdo giro que, com uma inocência feroz, jura matar os inimigos imaginários que o cercam e nos classifica rapidamente: vocês são os maus, vocês são os bons. Em nome dos meus companheiros classificados de maus, pergunto-lhe porque é que nós somos os maus. A resposta é curta: porque eu quero, eu sou o chefe! Para uma criança de cinco anos, esta resposta é um tanto perturbadora. Em que parte os brutais desenhos animados da nossa televisão, contribuirão para ela? Entretanto, porque o Afonso, enquanto brandia uma espada feita duma revista e...

AS FESTAS ACABARAM

FIM DE FESTA As festas acabaram. Acabaram as Olimpíadas, embora não acabassem as opiniões sobre a nossa representação, acabaram-se as férias para os nossos filhos e netos, acabaram os sonhos daqueles que fizeram ferias a prestações e agora enfrentam a dura realidade de pagarem as referidas prestações, acabaram as Festas de Paço de Arcos. Não que sejam grandes Festas, como segundo me contam os mais antigos habitantes da Vila, chegaram a ser. O Senhor Jesus dos Navegantes, continua a sair em procissão, para ir abençoar os barcos e os pescadores. Quando vim morar para Paço de Arcos, ainda a procissão cumpria esse ritual, senão com esplendor, mas com certo enternecimento e alguma Fé. Não eram só os pescadores com os s seus barcos, mas também todos os que tinham um barquinho o engalanavam e esperavam a Bênção, talvez com uma certa descrença ( pelo sim, pelo não) mas com muita alegria Falo por experiência própria, pois para nós, pais, filhos e amigos convidados, era uma manhã muito bonita ...