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OS ÀCAROS

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Reino dos Ácaros, 26 de Novembro de 2007 O meu nome è ácaro. Vivo nas casas dos humanos, principalmente nos tapetes e roupas de cama. O colchão é o meu local predilecto, dado que estas estúpidas criaturas passam um terço das suas vidas na cama, deixando lá resíduos de pele, numa temperatura sempre aconchegante, e transpirando humidade... É tudo o que preciso para sobreviver continuamente. Este tempo frio, em que os Humanos gostam das casas quentinhas e húmidas, facilita-me muito a existência. Também posso viver na poeira, nas almofadas, nos moveis e nos pisos das casas. Mas do que gosto mais é das roupas da cama, principalmente daquelas que são feitas de fibras naturais. Não compreendo porque as pessoas não gostam de mim, só porque provoco umas alergiazitas! Quem os manda inalar a poeira onde eu me sinto tão bem? Por exemplo, o meu parente, o ácaro da sarna, é muito pior que eu. Provoca uma infecção cutânea, conhecida por escabiose . que pode até ser mortal; enquanto eu, l...

RAIO DE SOL

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Passarei a chamar-te Raio de Sol, até teres o teu próprio nome. A tua mãe chama-te Bacuri. Sei que é um ternurento nome brasileiro para puto, além de ser uma fruta muito doce. Mas a minha infância passada no Minho, recorda-me os “bacorinhos” E embora sejam umas rechonchudos e rosadas criaturas, não deixam de ser filhos de suínos. Chamarte-ei Raio de Sol, porque além de achar bonito, serás o pequeno sol que irá aquecer a minha 3ª idade. (que frase dramática!) Não que essa 3ª idade seja cinzenta, gélida ou nebulosa. Mas estou tão feliz com o teu nascimento que é como se, não apenas um, mas mil raios de sol, aquecessem o meu espírito.

...E TUDO ESTÁ ARRUMADO

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FLORA DO PALÁCIO DE MONSERRATE Felizmente! A casa, Mimi & Fernando ‘sociedade criada há 55 anos’, voltamos ao normal dia a dia, sem grandes turbulências. Alegres os corações por mais um ano termos visto a família reunida em paz e alegria; lambidas as feridas do cansaço,natural na idade; a arvore desfeita, decorações arrumadas, loiças e toalhas de natal recolhidas nos armários e gavetas,o azevinho de plástico ( mas imitando muito bem o verdadeiro, com grande vantagem para a natureza,) em férias nas gavetas, juntamente com as grinaldas das portas, aspirada a casa, continuo a achar perfeita, a forma como a natureza nos facilita a vida: quando nos alegramos com a chegada do Natal, mas pensamos ,que pena o natal acabar,chegados os reis, sentimo-nos bem felizes por voltar à normalidade, sem as tentações dos fritos, das lampreias de ovos, do arroz doce e da aletria, e os resultados delas acusados nas balanças, eis-me pr...

PARA UMA, OU UM, MUITO AMADO DESCONHECIDO

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Tens 16 semanas. Não sei se és menina ou menino, mas sei que vives quentinho e flutuante no perfeito abrigo que a tua mãe te proporciona, Não sabes ainda quanto toda a família te ama. Mas deves pressenti-lo, porque a tua mãe, o teu pai, f azem tudo para que te sintas bem. Ela não bebe ,não fuma, tem cuidado com a alimentação, gosta de caminhar por locais calmos e pouco barulhentos, porque isso também e dará tranquilidade .O teu pai, rodeia-a de mil cuidados e de muito amor: assim, ela vive em completa tranquilidade e tu deves sentir isso no bater descansado do seu coração, Toda a família, procura imita-lo e na noite da consoada, até o David foi mandado, pela mãe, fumar para o jardim, com a admoestação”A Marta está grávida” As mulheres da Familia, ao falarem de ti, lembram-se da sua própria gravidez. Eu, que serei tua bisavó, posso recordar duas gerações e cada uma delas foi uma experiência diferente e maravilhosa. Agora, aguardo-te, com aquela bendita sensação de prolongamento de ...

PARA O MEU NETO DAVID

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Meu querido David Neste momento, toda a família dá o seu melhor em conselhos literários, para fazer de ti um leitor interessado. Também dei o meu, mas reflectindo, dizer-te qual o melhor autor ou a obra mais apropriada,não basta.Melhor será esclarecer-te como deves usar um livro. Ler, não é correr os olhos pelas páginas, ler em diagonal, como dizem agora. É principalmente, encarnar nas várias personagens, apreciar a maneira como o autor descreve locais, sejam eles uma paisagem, uma casa, o seu mobiliário; como nos faz compreender sentimentos e acções, como nos incita a questionar qual será a próxima actuação dos personagens, como nos faz gostar ou detestar as pessoas que coloca em cena. E a maneira como o faz,cria o seu estilo, que apreciaremos melhor cada vez que o lemos. É muito importante que ortografia seja correcta, que os substantivos, adjectivos e verbos estejam nos lugares apropriados. Mas um livro correctamente escrito, pode não ter alma. Dar à escrita esse encanto que nos fa...

TEMPO DE ADVENTO

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No ano passado Somos duas senhoras respeitáveis:Gostamos é de brincar Estamos na 4ª semana do Advento e quase me apetece dizer como a minha amiga Odette Bricage dizia, quando comia qualquer coisa verdadeiramente deliciosa “je me regale” A primeira semana do Advento, passo-a a modificar a Arvore de Natal, que nunca fica bem à primeira. Antigamente, quando fazíamos uma grande árvore, ainda tinha um bocadinho de contenção; mas agora com o meu pequeno pinheiro de plástico, a tentação é enorme. Além disso, durante esta primeira semana, compro um ou dois enfeites novos, mudo de local ou modifico aqueles que tenho. Cada ser humano tem direito a ter uma falha: esta é a minha. Na segunda semana, gozo as modificações que fiz, ultimo as compras, mando Boas Festas, vivo em grande, esta época que sempre fez a minha felicidade Na terceira, a Ana e eu, dedicam...

1º domingo do advento 2007

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Cumprindo a tradição, o Almoço do 1º Domingo do Advento, reuniu toda a Família, com excepção dos que vivem no estrangeiro: A Marta e o Reuben que só chegarão a 23, o André que já está na Suíça, onde é professor de snowboard e lá passará o Natal. Como é da praxe, tudo começou dias antes: retirar as decorações dos locais onde estavam guardadas, as loiças de Natal do armário, as toalhas das gavetas, experimentar as luzes, enfim, essa alegre balbúrdia, que fez a delícia da minha infância e continua a fazer, até hoje. Tenho dificuldade em compreender os comentários de algumas pessoas que frequentam a minha casa:- Mas que trabalho! Não sei como tem paciência! Como poderia considerar trabalho uma coisa que me dá tanto prazer? E a minha paciência, com a idade, é quase infinita. Na verdade, o Natal é o tempo mais feliz da minha vida. Sempre foi; mesmo quando perdi alguém muito querido, mesmo quando os tempos eram de vacas magras (é certo que as minhas vacas nunca foram esqueléticas) mesmo qu...