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LAÇOS DE FAMÍLIA

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OS DEZ ANOS DA RITA E O NOSSO DECANO COM 94 ANOS MONTEMOR-O-VELHO E A MARTA Em Julho,parte da Família, deslocou-se a Montemor -o -Velho,para assistir à peça “Oito Exercícios "Para Mãe E Filha”, da autoria e representada pela minha neta mais velha , Marta. Ao primeiro dia, digamos à estreia, assistiu grande parte da Família entre os quais o pai,primas, maridos das primas, amigos e nós , seus avós .No dia seguinte, compareceu a outra metade :a mãe. irmãos, cunhado, o marido, o tio, primos, enfim todos com o principal propósito de a acompanhá-la,aplaudi-la,acarinhá-la. Toda esta gente se deslocou a Montemor,não apenas para ver a peça, que até vai ser representada em Novembro, em Lisboa,mas principalmente para lhe demonstrar quanto a amamos,como queríamos estar ao seu lado num momento tão importante da sua vida. Talvez um pouco antiquadas,a Ana e eu até encomendamos um r...

OS BONS E OS MAUS DAS FITAS

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Almocei em Lisboa, no meu sossegado restaurante vegetariano, que nesse dia nada tinha de sossegado. Um ruidoso grupo de cinco pessoas impunham as suas opiniões, ruidosamente, a um sexto conviva, que não tinha tempo de manifestar as suas e muito menos contestar as dos outros. Se normalmente sou curiosa sobre as conversas de terceiros, aquele grupo fascinou-me. Os cinco pareciam muito preocupados com as desgraças dos povos oprimidos, dividindo com desembaraço, a humanidade em BONS e MAUS. Como nem sequer eram muito jovens, admirei-me que não compreendessem como essa atitude era insensata. Podemos dividir os Homens em BONS e MAUS, mas não podemos aplicar tal divisão a a uma Nação. Um povo, uma raça, uma religião, não pode ser inteiramente boa ou inteiramente má; ou então, estamos ardilosamente a chamar bons àqueles de quem gostamos e malvados aos outros, que não nos agradam: os Bons e os Maus das fitas de cowboys ou policias e ladrões, que víamos na nossa meninice. Aqueles a quem chama...

AS FÉRIAS

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SANTA CRUZ AGOSTO DE 2006 Novamente, parte das minhas férias foram passadas junto da família, em Stª Cruz. Santa Cruz é o local onde decorrem grande parte das nossas reuniões familiares. De facto, excepto o Natal e os aniversários, quando nos dividimos por tribos mais chegadas, é lá que festejamos a Páscoa, o Dia de Todos os Santos, os Santos Populares, ou simplesmente passamos um fim de semana para estarmos juntos. È certo que, actualmente, isso já não é uma praxe tão habitual como antigamente. Temos filhos, netos, estamos velhos e egoístas demais para sacrificarmos tudo em favor da tradição. Também já não temos tanta paciência para nos aturarmos uns aos outros, com as nossas pequenas implicâncias, a maneira como cada um tem de ver a vida e que julga ser a melhor. Mas acredito que isso em nada afecta a nossa amizade, e quando nos juntamos, é com verdadeiro prazer que o fazemos, aceitando os outros tal qual são. Aqui...

O JORNAL A FAMILIA

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A Aldeia das Carreiras,onde há mais de cem anos nasceram os nossos avós Hoje, dirijo-me muito especialmente às avós, para lhes contar algo que me aconteceu e que está a tornar-se ,talvez, num dos momentos mais satisfatórios da minha vida.Não só para lhes contar, mas para as incitar a fazerem o mesmo De vez em quando, sentimos a família um bocadinho dispersa. Os mais velhos, porque são comodistas e achacados , não se mexem dos seus ninhos aconchegados. Os do meio, andam atarefados a construir o futuro. Os jovens, em vez de andarem ,correm. E porque a maior parte foram criados com muito amor, nem se apercebem como é bom pertencer a um clã. Mas é possível, fácil e até muito divertido, conseguir uma maior ligação entre os vários membros da família, sem que isso obrigue a longas missivas, visitas ou mesmo telefonemas. Vou dizer-lhes como. Tudo começou quase por brincadeira. A minha prima Ana e eu, resolvemos fazer um jornalzinho para a Família. Talvez porque pertencendo à geração d...

A MINHA BOLA DE SABÃO

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Relendo o meu blog, verifiquei que falo principalmente de mim, da minha família, dos meus amigos e conhecidos, enfim, daquela bola de sabão, colorida e translúcida. onde viajo pelo meu universo. Até parece que para mim não existem acontecimentos perturbadores. Que não há guerras desgastantes, terrorismo, morte; maridos que espancam as mulheres, velhos que são abandonados em lares miseráveis ou nos hospitais públicos; crianças que são levadas para proporcionarem às bem organizadas redes de pedofilia chorudos lucros;jovens casais que trocam de estado com a maior leviandade, sem pensarem nos filhos que sobram dessas uniões; nos hábitos de educação e gentileza que se deterioram dia para dia; nos milhares de bebés indianos que são mortos pelas próprias mães, só porque são meninas; nas alterações climáticas que se agravam de tal modo, que já todos as podemos notar. Penso e fico incomodada com a minha impotência perante tais acontecimentos. Por muito dinheiro que desse às organizações que ten...

OS MACACOS SÁBIOS

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Ofereceram-me um estatueta dos três macacos sábios, aqueles que fecham os olhos, os ouvidos e a boca com as suas mãozinhas peludas. Em geral, eles funcionam como um sábio conselho para viver entre os homens. Gosto dos macaquinhos que são pequenos, delicados e até muito divertidos. Mas serão sábios os conselhos que nos dão? “não VER não OUVIR e CALAR “ NÃO VER Não há nada pior do que ver e fingir que não se vê, ou, inconscientemente, não querer ver. Usar ou não usar o que observamos, é uma coisa que o nosso bom senso deve decidir. Mas não ver, NUNCA. Normalmente, conduz aos piores resultados. NÃO OUVIR. Não podemos deixar de ouvir.Podemos ouvir encantados uma conversa fascinante, um debate que nos interesse, a harmonia da musica; Podemos ouvir com receio, por suspeitarmos ir escutar algo que nos desagradará. Podemos ouvir por mexerique, num ávido farejar de defeitos e escândalos, num secreto conforto pelas faltas dos outros compensarem as nossas. Podemos ouvir por caridade, qu...

AS FÉRIAS DO ESPIRITO

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Há muito, muito tempo, que o meu espírito não desfrutava de tal vadiagem e os meus pensamentos não eram tão liberalmente dispersos. Nesta Cúria bucólica, o meu físico e o meu espírito, descansaram em igual indolência. O corpo, ocupava o tempo entre ir buscar o meu marido tolhido pele ácido úrico !!! à “Buvette” (dizer bebedouro, à portuguesa, não soa muito bem) ou ao Spa,onde sofria as torturas do duche escocês e as massagens vigorosas duma alentada senhora; os almoços nos simpáticos e oportunistas snak-bares e a conversa informal, ao fim da tarde ,no salão elegantemente conservador deste pequeno “Hotel de Charme”. Os nossos emperrados maridos, faziamem Sudoku, viam na televisão o Canal Odisseia, o CSI, que imediatamente eram relegados em favor dos sub- 21,ou da gloriosa selecção. Quanto ao meu espírito, entrou de férias.Como o Azi (o meu P.C), ficou em casa, bem agasalhado e protegido pelas inúmeras capinhas de plástico que o cobrem durante a minha ausência, as minhas tarefas inf...