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O PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO

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Para mim, o mês de Dezembro é o mês das minhas Auroras Boreais. Alguns dias antes, começo os preparativos para o Natal, e como continuo a viver esta época com a alegre inocência das crianças, cada momento tem o esplendor das ditas Auroras. Na verdade, tudo começa uns dias antes, do domingo, mais próximo do dia 30 de Novembro,este ano,o primeiro dia de Dezembro. Embora nos últimos dois anos eu não consiga reunir a família para o Almoço do Advento, continuo a realizá-lo com o mesmo ritual, só para mim e para o meu marido. Arranjo a coroa do Avento, com as quatro velas que simbolizam as quatro semanas que Ele dura,com a mesmo entusiasmo que o fazia quando os meus filhos, nora e netos vinham partilhar connosco o Almoço. Coloco na mesa a minha melhor toalha, a coroa do Advento no lugar de honra da casa, e acendo a Primeira Vela dizendo as mesmas palavras que a minha avó ensinava à neta mais nova, que tinha o privilégio de acender a vela, a dizer: Acendo esta vela, para que Calor da ...

OS NOSSOS FILHOS

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Os nossos filhos são o produto da informação genética que lhes transmitimos, da educação que lhes proporcionámos, da conduta moral, familiar e social. que lhes mostramos; com tudo isso, e mais o misterioso elo desconhecido que faz de cada um de nós um ser único, eles vão construir a própria personalidade. É certo que serão livres para agirem como desejarem e saberão destinguir o que é certo do que está errado. Mas, serão mesmo livres? Não pesará na sua maneira de proceder, tudo aquilo em que os envolvemos, que lhes primitimos, que lhes negámos, desde a infância, a adolescência e até na maturidade? Teremos sido verdadeiramente justos nas regras que impusemos, de modo a fazer-lhes compreender a diferença entre autoridade e autoritarismo? Teremos sido demasiado condescendentes, não primitindo que eles fossem responsáveis, seguros, bem preparados para exercerem o seu papel na vida? Tiramos os nossos cursos, mas quem nos ensina, enquanto jovens, a sermos pais? è sempre uma coisa tão inst...

A MINHA AVÓ MARIA

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A ALDEIA DAS CARREIRAS TORRES VEDRAS O ANO PRIVADO da minha avó Maria começava no dia de TODOS OS SANTOS com o almoço de familia. Em casa dos outros lavradores realizava-se a tradicional Matança do Porco;como os meus avós não suportavam tal costume,compravam o porco já morto,pronto a prepararem com ele os presuntos,os enchidos e o toucinho.A azáfama a alegria e a diversão, que tal ocasião sempre faculta, era a mesma e evitavam o barbaro espectáculo que ainda hoje se realiza em grande parte das nossas aldeias. Filhos,noras e netos, acomodados desde a véspera no Casal da Cerca,a minha avó não se enfadava com o trabalho ou com a alteração aos seus hábitos serenos; mas fazia questão que fossem em romagem ao cemitério onde repousavam os nossos parentes falecidos. Embora não fosse fanática praticante da Religião Católica,e jamais impondo aos filhos que partilhassem as suas ideias,havia práticas que ela seguia inflexivelmente e que exigia dos que estavam sua na ...
Aproximando-se o dia de honrar os nossos mortos,(como se houvesse uma dia próprio para recordar aqueles que amámos e já partiram!) começo a fazer o inventário dos meus amados desaparecidos Na minha idade, já vimos partir vários membros da nossa família, alguns amigos e muitos conhecidos. Começando pela Família, recordo aqueles que amei;os outros, aqueles que fazendo parte do meu clã, a sua morte em nada me afectou,que descansem em paz. O único que tem um lugar especial na minha escala de afectos é o meu avô paterno. Morreu era eu muito pequena, e nem sequer sinto por ele aquela aberração que é gostar dum familiar, pelo grau de parentesco que tem connosco e não pelo que é, como pessoa, Sem tempo para saber se o amaria, (eu tinha 3 anos quando ele morreu) há uma espécie de amor na forma como o recordo. Sentada nos seus joelhos, era uma alegria, brincar com o grande relógio de ouro, preso por uma corrente, ao bolsinho do colete. Sem sentir a perda, recordo-o sempre com ternura no dia dos ...

REFERENDO

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Nascemos sem o pedir ou desejar. Pequeno embrião, gerado propositadamente num momento de amor, ou inadvertidamente, num instante de sensualidade, nem sabemos o que é existir; não temos consciência como é o mundo onde nos vão lançar. Podemos, logo que se apercebam que nos geraram, ser ternamente amados, ou detestados por inoportunos; ser uma dádiva ou um fardo. Amados ou detestados, flutuamos num liquido quente e suave, começando cedo, a sentir impressões agradáveis ou irritantes que nos chegam do exterior. Sentir-nos-emos tranquilos, escutando uma melodia suave ou coração da nossa mãe batendo calmamente; ou estremeceremos angustiados, surpreendidos por vozes coléricas e imprecações violentas. Nascidos, espera-nos uma família que não escolhemos,mas que nos legou Genes, bons ou maus, Raça, Crenças, Hábitos predisposição para doenças, Familia que, amados ou maltratados estaremos ligados para sempre;embora quando crescermos, afirmemos,tolamente, que poderemos agir como quisermos. E, a mai...

A IMPORTÃNCIA DO BLOG

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HOMENAGEM À MINHA NORA Escrever é uma tentação irresistível para a maior parte das pessoas tímidas ou solitárias. Sei-o por experiência própria. Quando deixei de conversar com os ursos de peluche e verifiquei que não podia partilhar os pensamentos com minha cadela, senti-me mais sozinha do que nunca, E como era retraída, não os compartilhei com ninguém. Foi uma época muito infeliz na minha vida. Com nove anos, além de saber escrever, conseguia alinhar as minhas reflexões com algum nexo. É certo que a ortografia era péssima e a sintaxe nem sequer existia. Lamentavelmente, ainda hoje escrevo e falo com imperfeição a minha língua. Mas desde então, nunca mais me senti tão só. Ultimamente tenho percorrido vários blogs e verifico que, se alguns são mero passatempo, outros são a forma de expor sentimentos e factos. Isso é bom. porque ao mesmo tempo que permite escrever o que pensamos, obriga-nos igualmente a meditar no que escrevemos e através dessa análise, observar se estaremos certos ou e...

APRENDENDO COM O TEMPO

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S.PEDRO DO SUL À medida que os anos passam, aprendemos a viver no mundo e com o mundo. As coisas más, nunca são inteiramente más. As intenções das pessoas que nos afagam ou nos magoam, por vezes não são tão inocentes, nem tão malévolas. Fazerem-nos um carinho, pode ser uma espécie de compra; magoarem-nos, pode ser sem intenção expressa. Somos nós que devemos discernir quanto valem na realidade essas intenções. Há momentos tão dolorosos na nossa vida, que admitimos nada mais ter importância para nós. Acreditamos que nunca poderemos aceitar a morte dum ser querido, uma doença que nos surpreende quando julgamos estar na melhor época da nossa vida. Escandalizam-nos certas atitudes que consideramos não ter merecido; sofremos com a deslealdade de quem considerávamos um amigo. Muitas vezes receamos a solidão. Com o passar dos anos, todas...